Rio Miño

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O rio Minho

O rio

 

Localizado no noroeste da Península Ibérica, é sem dúvida o rio mais importante e poderoso da Galiza e um dos principais da península.

Conhecido como "pai dos rios galegos", nasceu no Pedregal de Irimia (formação de blocos periglacial), a uma altitude de cerca de 695 metros acima do nível do mar, na encosta oeste da Serra de Meira (montanhas da Cantábria), nos pés do Pico do Forno de Martín (892 msnm) (Meira-Lugo).

O seu afluente mais importante é o rio Sil, com 241 km de extensão, cuja confluência ocorre em Os Peares (Lugo), e que traz quase o dobro da água que o Miño leva naquele ponto. Além disso, desde o seu nascimento, à direita, recebe águas dos rios Ladra, Avia, Tea e Louro; e à esquerda dos rios Neira, Arnoia, Moura e Coura, entre outros.

Obstáculos

 

Na bacia do rio existem 71 grandes infraestruturas hidráulicas. Ao longo do canal principal do Minho, existem 5 grandes barragens e reservatórios. A primeira, desde o seu nascimento, é a barragem de Belesar (Chantada-Lugo), concluída em 1963, com 137 metros de altura e seu reservatório tem aproximadamente 50 km de comprimento. Seguidamente encontra-se a barragem de Os Peares (Panton-Lugo), Velle (Ourense-Ourense), Castrelo de Miño (Ribadavia-Ourense) e, finalmente, a barragem de Frieira (Crecente-Pontevedra), sendo o primeiro grande obstáculo dos peixes migratórios. O rio Sil também é muito afetado pela construção de barragens, havendo 13 grandes infraestruturas no seu canal principal, sendo a maior Bárcena (Ponferrada-León).

 

O maior reservatório de todos é o de Belesar (1.828 ha), seguido por de As Portas (Vilariño de Conso-Ourense, com 1.183 ha) e Bárcena (986 ha). Em altura da barragem, a maior é a de As Portas (141 m) e Belesar (132 m).
 

Além disso, na bacia internacional estão inventariados 387 obstáculos de pequeno ou médio tamanho (<10 m de altura), dos quais 90 estão localizados na parte espanhola e 297 na parte portuguesa. Destes, 55 são considerados difíceis ou intransponíveis para peixes migradores.

Fontes:

  • Confederación Hidrográfica del Miño-Sil

  • Agência Portuguesa do Ambiente

  • IAgua Data

  • Embalses.net

 
 

O Minho internacional

Desde 1864 (Tratado de Limites, assinado em Lisboa em 29 de setembro de 1864), os últimos 77,8 km do rio Minho servem de fronteira física e administrativa entre Espanha e Portugal, desde a foz do rio Troncoso ou Barxas (também fronteira) até a foz do Oceano Atlântico, entre as cidades de Caminha (Pt) e A Guarda (Es). É o chamado Troço Internacional do Rio Minho (TIRM).

 

Artigo I. A linha de separaçào entre a Soberania do Reino de Hespanha e a de Portugal começarâ na foz do rio Minho entre a provincia hespanhola de Pontevedra e o distrito portugez de Vianna do Castello e se diiïgirâ pela principal veia fluida do dito rio até à confluencia de rio Barjas ou Troncoso. A ilha Canosa situada perto da foz do Minho, a denominada Cancella, a Insua Grande que se encontra no grupo das ilhas de Verdoejo entre o povo hespanhol Caldelas e o portuguez Verdoejo, e o ilhote Filha Boa, situado perto da Salvatierra, pertençerâo a Hespanha. As ilhas chamadas Canguedo e Ranha Gallega que forman parte do mesmo grupo de Verdoejo, pertençerâo a Portugal.

.....

Artigo XXVI. Os povos de ambos os Paizes que desde muito tempo gozam o direito de colher en commun as herbagens na ilha Canosa, situada no rio Minho, continuarâo como até agora e em conformidade dos seus regulamentos municipaes no gozo commun d'aquelle aproveitamento.

....

Annexo I, Artigo II. Em virtud do uso commum sobre os rios limitrophes correspondente aos povos de ambas as naçôes poderâo estes navegar livremente pelo Minho, [...] Egualmente poderâo os habitantes de ambos os territories passar de um a outro lado com toda especie de embarcaçôes e ben assim aproveitar as aguas para todos os usos que les convenham, com tanto que em ambos os casos nâo faltem aos convenios publicos existentes, ou aos costumes authorizados entre os povos das duas margens nem alterem na minima cousa as condiçôes dos rios, no que respeita ao aproveitamento commum e publico.

A bacia hidrográfica do troço internacional do rio Minho (CHIRM) abrangue 1.918 km2, correspondendo a 11,3% da área total da bacia hidrográfica. Administrativamente, abrange as províncias galegas de Ourense e Pontevedra e o distrito de Viana do Castelo na parte portuguesa. A um nível menor, na Espanha, abrange 26 concelhos e, em Portugal, 9 municípios.


Do total do CHIRM, a parte espanhola (CHIRM-ES) ocupa 1.110 km2 e a parte portuguesa (CHIRM-PT) 809 km2.

CHIRM rio Miño/Minho

A questão das ilhas

No troço internacional o vale alarga-se, diminuindo gradualmente a velocidade da água e permitindo maior deposição de materiais devido a alterações naturais do curso do rio (variações sazonais) ou por influência humana (a construção de reservatórios na década de 1960 limitou os picos de caudal e aumentou a sedimentação, bem como a existência de pesqueiras, que também afectam a dinâmica sedimentar).

Essa sedimentação permite a formação de bancos de areia ou ilhas aluviais: as morraceiras, ínsuas ou mouchões, típicas da parte baixa, embora existam também ilhas rochosas graníticas, mais típicas da parte alta (a montante de Monção). Esses processos são muito dinâmicos, as ilhas podem formar-se em dias ou anos, desaparecer, mover-se ou consolidar e serem colonizadas pela vegetação. As mais conhecidas são as de Canosa, Morraceira do Grilo, Boega ou grupo de Verdoejo. Essas ilhas são áreas de grande interesse ecológico.

A questão da nacionalidade das ilhas é muito complexa devido à sua própria dinâmica de formação/desaparecimento. O único documento existente assinado pelos dois países é o Tratado de Límites de 1864, e seus anexos de 1866 que delimitaram a fronteira do rio e, em seu artigo I (citado acima), determinara a nacionalidade das seguintes ilhas:

  • Ilhas espanholas: 

    • Canosa (há evidências desde 1691)

    • Cancela (ou Caldelas, há evidências desde 1683, não se sabe a qual delas se refere)

    • Ínsua Grande (grupo de Verdoejo, Já não existe como ilha, uniu-se ao continente)

    • Fillaboa

  • Ilhas portuguesas

    • Canguedo (grupo de Verdoejo)

    • Ranha galega (agora parte da ilha de Canguedo)

Como este é o único documento oficial, presume-se que as demais ilhas que não aparecem no tratado são internacionais, ou melhor, sem nacionalidade, não sendo disputadas por nenhum país até que sua nacionalidade seja decidida pela Comissão Internacional de Limites.

Troço internacioal do Minho (1807)
Detalle islas de Verdoejo

Ínsula Grande

Canguedo

Raña Gallega

Plano del Partido de Tuy que manifiesta la Linea divisoria de España y Portugal con las Aduanas y Contra-registros situadas en las fronteras de ambos Reynos, realizado por Juan Quintana [en escala ca. 1:92.000]. Fechado en A Coruña en 1807

Fonte: AHN, Sección Mº de Exteriores, Mapas y Planos, 1138. Extraído de García, J & Puente, P. (2015)

Detalle del tramo correspondiente a las islas de Verdoejo, al norte de la aldea portuguesa del mismo nombre (Berdoexo en el plano). Las letras indicadas en el plano representan: A: Ínsula Grande; B: Canguedo; C: Raña Gallega; a: almacenes de sal portugueses; b: casas aisladas; c: pesquerías; y: porciones de terreno ganado al río con la construcción de pesquerías.

Fonte: AHN, Sección Mº de Exteriores, Mapas y Planos, 1138. Extraído de García, J & Puente, P. (2015)

Hoje, a situação das ilhas é obviamente muito diferente daquela época. Com base na fotointerpretação de ortofotos e imagens de satélite (históricas e atuais), foi feito um inventário aproximado das ilhas existentes no TIRM, considerando-se estas como terras permanentemente emersas, cercadas por água (em regimes normais de fluxo) e com vegetação consolidada. Os pequenos afloramentos rochosos foram desprezados. As mais importantes são:

Comparação de ortofotos (1956-2017):

  • Instituto Geográfico Nacional de España

  • Xunta de Galicia

O uso das ilhas internacionais ​também é regulamentado, principalmente a caça,é da competência da Capitania do Porto de Caminha (Autoridade Marítima Nacional) e da Comandancia Naval del Miño (Armada Española).

A ilha de Santo Isidro, conhecida como Ínsua, localizada fora da foz do Minho, ao lado da praia de Moledo (Caminha), pertence a Portugal. É uma ilha granítica, sem relação geomorfológica com as anteriores. Abriga o Forte da Ínsua ou Forte de Nossa Senhora da Ínsua, uma fortificação do século XVII classificada como Monumento Nacional.

Fontes:

  • Tratado de Límites, firmado en Lisboa el 29 de septiembre

  • Cairo, H. & Godinho, P. (2014). El tratado de Lisboa de 1864: la demarcación de la frontera y las identificaciones nacionales. Revista Historia y Política, núm. 30, Madrid, julio-diciembre (2013), págs. 23-54, ISSN: 1575-0361

  • García, J & Puyo, J. (2015). La aportación geográfica y cartográfica de las Comisiones de Límites luso-franco-españolas (siglos XVIII y XIX). Terra Brasilis (Nova Série) [En línea], 6-2015, Publicado el 17 diciembre 2015. DOI : 10.4000/terrabrasilis.1693

  • García, J & Puente, P. (2015). La delimitación de la frontera luso-española en el río Miño (1855-1906). Terra Brasilis (Nova Série) [En línea], 6-2015, Publicado el 17 diciembre 2015. DOI : 10.4000/terrabrasilis.1708

  • García, J & Puente, P. (2015). Las Comisiones Mixtas de Límites y las representaciones geográficas de la frontera hispano-portuguesa (1855-1906).Revista de Historiografía, nº 23, pp. 67-100..

  • García, J & Puente, P. (2016). La frontera hispano-portuguesa en el río Miño en el Tratado de Límites de 1864. Deslinde y ordenación de un territorio fluvial conflictivo. In: Paisaje, cultura territorial y vivencia de la Geografía. Libro homenaje al profesor Alfredo Morales Gil. Publicado en Diciembre de 2016. ISBN: 978-84-16724-03-1. DOI: 10.14198/LibroHomenajeAlfredoMorales2016-34. 

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Etimologia

 

Historicamente, o rio Minho tem sido bem documentado em importância como uma marca do território que abrange, conforme descrito por autores como Estrabón, Mela, Plinio ou Ptolomeu.

A origem etimológica de -Miño- é controversa entre os investigadores. Alguns autores mencionam que a origem pode estar no termo latino minio, que significa "a cor do minio", um mineral vermelho. Essa afirmação vem da mais antiga referência existente feita por Marco Juniano Justino, um grande historiador da Segunda Era de outra época. Em sua obra Justini Historiarum Philippicarum Libri XLIV, antologia da história universal da antiguidade que foi escrita por Trogo Pompeyo (historiador galo-romano do primeiro século), que não é preservada, em relação aos territórios de Gallaecia, de sua riqueza mineral e o nome que ele tirou de um rio:

 

Regio (Gallaecia) cum aeris ac plumbi ubérrima stannum & minio quod etiam vicino flumini nomen dedit

Uma interpretação seria "abundante [a Galiza] tanto em cobre quanto em chumbo e em minio, que até deu nome ao rio vizinho". Esta afirmação não parece correta, uma vez que o vale do rio Minho não possui depósitos minerais nem as suas águas têm essa cor. Seria mais provável que ele se referisse ao rio Sil por uma etimologia de remissão ao termo latino sil, no grego Okhra, ou seja, o ocre (óxido de ferro), já que possui águas dessa cor, principalmente porque na sua bacia localizam-se importantes explorações de ouro.

Muito provavelmente, como é afirmado por outros autores, a origem de -Miño- está na raiz indo-européia *mein- "anda, marcha, flui" ou tem uma relação com hidrônimos pré-europeus como *men-iyo- "mountain" para o que seria o rio "montanhoso", muito consistente com a topografia galaica.

Fontes: 

  • Moralejo Álvarez, J.,2009. MINIUS/MINHO/MIÑO. Minius (17), 17-23

  • Bascuas López, E.,2008. La hidronimia de galicia. Tres estratos: paleoeuropeo, celta y latino. (C. d. Mondoñedo-Ferrol, Ed.) Estudios Mindonienses(24)​

A vida no Rio Minho

 
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