Artes de pesca

Troço internacional

A pesca no rio Minho é uma actividade de alta importância, tanto econômica quanto social. Muitas são as artes de pesca utilizadas, mas destacam-se:
 

  • Nas pesqueiras. Artes de cabaceira botirão

  • No rio Tea mantém-se a tradição da pesca da lampreia com fisga, nas estacadas

  • No estuário:

    • Tela: para a pesca do meixão

    • Tresmalho: Rede de três panos para a pesca de lampreia, sável, salmão, mugem, robalo e savelha.

    • Algerife: Abandonada. Valor cultural e histórico

Pesqueiras

As "pesqueiras" ou "pescos" são estruturas arquitetónicas líticas, localizadas na margem e dentro do rio e utilizadas para a pesca artesanal. Embora algumas sejam "naturais", quase sem intervenção humana, muitas são construídas por grandes blocos de granito para suportar o ataque do rio e os materiais que ele carrega, adaptando-se à topografia e às suas características. Na Idade Média aparece a primeira documentação confiável sobre essas construções, embora se acredite que elas já datem dos tempos do antigo Império Romano.

A propriedade das pesqueiras é hereditária e pode ser propriedade de uma pessoa, família ou grupo. Os direitos podem ser vendidos, comprados, doados, herdados ou cedidos. No Minho internacional, 700 dessas estruturas foram inventariadas no inicio do séc XX, hoje cerca de 200 estão ativas.

Para poder utilizá-las no exercício da pesca, será necessário que sua manutenção, forma, dimensões e propriedades atendam às condições estabelecidas na Lei de Entrega da Fronteira, assinada em Lisboa em 30 de maio de 1897.

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Existem vários tipos de pesqueiras, mas elas podem ser agrupados em duas tipologias:

Tipo I: Cabaceira

Esse tipo caracteriza-se por apresentar um corpo único, retangular e alongado, que entra no rio e onde é utilizada a rede "cabaceira". Normalmente localizadas nas áreas superiores do rio. Limita-se a uma pequena adição na extensão pela colocação de rochas e podem terminar em escadas. Elas partem de uma margem rochosa e deslocam-se perpendicularmente ou obliquamente em direcção ao meio do rio. Algumas dessas pesqueiras tinham aberturas no corpo para aliviar a pressão da água (Esquemas: A. Leite, 1999)

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A rede de cabaceira

 

É uma arte de pescar com armadilha e sem armação. Consiste numa rede com uma malha de 60 a 80 mm na diagonal, 7 metros de comprimento e 4 m de altura, embora suas dimensões sejam muito variáveis, dependendo da corrente e posição da pesqueira. É montado na extremidade da pesqueira, chamada "puntal". Essa rede, quando trabalha, é composta por uma seção fixada à pesqueira, de forma retangular, que força o peixe a se deslocar para a parte móvel em forma de tronco-cônica, denominada "rabo", que tem uma "boca" onde o peixe entra. À medida que progride, ele passa por uma pequena abertura, a "pelusa" e, em seguida, fica preso no "saco do falsete". A malha para a pesca da lampreia deve estar entre 55 e 80 mm na diagonal. Para as outras espécies, a malha não pode ser inferior a 120 mm na diagonal.

É utilizada, juntamente com o botião, para a pesca de lampreia nas pesqueiras a montante da Torre Lapela, de fevereiro a maio. Também é usada para a captura de salmão, sável e truta marisca, de abril a maio.

Tipo II: Botirão

Essa tipologia consiste em vários corpos (de 2 a 5), chamados "poios" ou "pescos", dispostos em paralelo, separados por cerca de 1 metro e avançando obliquamente para o meio do rio na direcção da corrente. A planta é retilínea, embora possa ser curvada. Cada corpo tem, em média, 4-5 metros de comprimento, 2-3 de largura e 4-6 de altura. O comprimento total médio oscila os 23 metros. Os corpos têm uma base retangular ou romboidal e formam canais ("caneiros") onde a água circula. No final da pesqueira pode ser apresentada a "cauda" (subtipo I), cujo objetivo era desviar a corrente para os "poios" e cujas dimensões são variáveis, com a possibilidade de conjunção entre as pescarias de ambas as margens (subtipo IIa), alguns com corpo duplo (subtipo IIb), incluindo a união dos corpos de ambas as margens (subtipo III). (Esquemas: A. Leite, 1999)

O botirão

Esta arte de pesca consiste em um saco de rede em forma de funil, com aproximadamente 2 metros de comprimento. É formado por duas redes: a primeira, de malha larga, é cercada por anéis de ferro (anteriormente de madeira de louro dobrada ao fogo), a primeira, a "boca", em forma de U, é a maior, seguido de três sucessivamente menores ("arco da sarnelha", "arco do meio" e "arco rabicheiro"), que dividem a rede em quatro secções com diâmetros cada vez menores até terminar em um ponto ("gancho"). A rede interna, também de malha cônica e mais estreita, parte presa ao arco da boca e termina presa ao "gancho" por cordas e sua função é impedir que o peixe saia. A malha para a pesca da lampreia deve estar entre 55 e 80 mm na diagonal. Para as outras espécies, a malha não pode ser inferior a 120 mm na diagonal. (Esquema: Pacheco, M.F., 2013).

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É utilizado na pesca de lampreia nas pesqueiras a montante da Torre de Lapela, de fevereiro a maio. Também é utilizado para capturar salmão, sável e truta marisca, de abril a maio..

Fontes: 

 
 
 

Rapeta e tela

A pesca do meixão, até à década de 70, era realizada exclusivamente com uma rapeta, principalmente da margem do rio, agora proibido, salvo para os barcos licenciados para pesca de meixão com tela. É um aro metálico, com diâmetro variavel que pode ir até 1 metro, preso à extremidade de uma vara, com uma malha entre 1-2 mm.

Na década de 1970, nasceu uma rede para capturar o meixão: a tela. Consiste em uma rede em tronco de cone. A malha não pode ter menos de 2 mm de lado e as suas dimensões não podem exceder:

  • Relinga de chumbos: 15 m

  • Relinga de bóias: 10 m

  • Altura: 8 m

  • Boca: 2,5 m

  • Comprimento: 10 m

 

Usa -se fundeada pelos extremos da relinga de chumbos como auxiliar da peneira ou rapeta na pesca do meixão.

Fontes: 

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Estacadas

É uma arte de pesca dedicada exclusivamente à pesca de lampreia. Consiste numa plataforma ou passarela disposta por cima do rio e que atinge apenas a metade do leito do rio, com uma extremidade apoiada na margem do rio e o restante em estacas ou postes de madeira ou ferro, para não impedir a livre circulação do rio. Elas têm duas linhas de luz paralelas que permitem ao pescador vê-la e capturá-la com a ajuda da "fisga" ("francada" ou "tridente"), consistindo de uma vara longa com pontas no final.

 

Sua propriedade está sujeita a um regime especial por sorteio anual realizado pela Xunta de Galicia. Não existem direitos de pesca contratados por herança, nem são comprados ou vendidos. Existem aproximadamente 50 distribuídos no rio Tea, em um troço de aproximadamente 12,5 km, entre os municípios de Ponteareas e Salvaterra.

O período de pesca é de fevereiro a maio (para o ano 2020). A pesca ocorre em dias alternados: segundas, quartas e sextas-feiras de estacas ímpares e terças-feiras, quintas e sábados de pares. Terminado o período de pesca, os pescadores precisam remover as estacas e outras instalações.

Fontes

Estacada rio Tea
 

Tresmalho e lampreeira

São redes de deriva que consistem em três tecidos ou panos. Os dois exteriores, chamados "alvitanas", são idênticos e com uma malha de 300 mm. O tecido interno, "tampo", é de malha menor. O peixe, encontrando essa rede, passa por uma das alvitanas sem dificuldade e empurra o "tampo" através das malhas da segunda alvitana, ficando preso numa espécie de saco ou sacola.

No caso do trasmalho, este tecido interno não pode ter menos de 140 mm de diagonal de malha e suas dimensões não podem exceder 120 metros de comprimento e 60 malhas de altura. É usado na pesca de salmão, truta marisca, sável e savelha, de marzo a junho.

No caso da lampreeira, o tecido interno deve estar entre 70 mm e 90 mm de malha na diagonal e as suas dimensões não podem exceder 120 metros de comprimento e 70 malhas de altura. É usado para capturar lampreias, de janeiro a abril.

Fontes: 

 

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Algerife

É uma arte de arrastro com uma rede de um único pano, com cerca de 150 metros de comprimento e 120 malhas de altura. A malha não pode ser inferior a 59 mm. Era usado principalmente no estuário durante o dia, mas deixou de se usar quando a quantidade de sável diminui acentuadamente, nas décadas de 60-70.

A origem da palavra "algerife" pode vir do árabe hispánico al-yárif ou aljárifa, que significa "o varredor".

Fotos: Eliseo Alonso, Carlos Antunes, cortesía de Luís Fraga

Fontes:

 

Outras artes

  • Solheira ou picadeira: é uma rede de um só pano; a malha molhada desta rede não poderá ter menos de 70 mm de diagonal e as dimensões não poderão exceder 55 m de comprimento e 70 malhas de altura; usa-se fixa, fundeada nos seus extremos, picando o fundo diante dela para a pesca da solha.

  • Varga de mugem: é uma rede de três panos; a malha molhada desta rede não poderá ter menos de 80 mm de diagonal e as dimensões não poderão exceder 100 m de comprimento e 60 malhas de altura; usa -se à deriva para a pesca do mugem e outros peixes brancos.

  • Mugeira: é uma rede de um só pano; a malha molhada desta rede não poderá ter menos de 70 mm de diagonal e as dimensões não poderão exceder 110 m de comprimento e 80 malhas de altura; usa -se à deriva para a pesca do mugem e outros peixes brancos.

  • Palangres e espinheis: são artes dormentes que consistem numa linha principal, lastrada com chumbos, da qual partem baixadas de nylon com anzóis nos extremos. A abertura dos anzóis não poderá ser inferior a 6 mm; usam-se fixas, fundeadas nos seus dois extremos, nos locais onde não se conseguem lançar redes, principalmente para a pesca do robalo e dourada.

Fontes: 

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Subtipo I